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Alguém me disse

OK, admito que é boataria mesmo. Não tenho (ainda) nenhuma confirmação das informações abaixo, mas elas não deixam de ser alarmantes mesmo assim.

Estava conversando com uma jornalista da revista cultural Télérama, quando ela me disse que a empresa ia muito mal das pernas. Segundo ela, eles já estariam discutindo uma possível venda, ou mesmo, e última instância, o fim da revista.

Les Cahiers du Cinema

Les Cahiers du Cinéma

E de repente ela teve um estalo. “Ah, e nem falo da Cahiers du Cinéma, que já está com um pé na cova!”. Daí eu arregalei os olhos, desesperado: como assim? Eu nem sou tão fã do Télérama, mas mexer com a Cahiers já é demais! “Sim, há muita chance que a revista desapareça, já que ninguém quer comprá-la. Ela é muito cara e não dá retorno”.

Admito que minha vida (cinematográfica) passou inteira diante dos olhos. Os Cahiers são lendários, foram responsáveis pela divulgação das idéias do Bazin, estabeleceram a galera de críticos-realizadores da nouvelle vague (Godard, Rohmer, Truffaut, Chabrol) e instauraram uma das discussões mais férteis sobre crítica de cinema com a Positif. Os Cahiers são provavelmente a revista de crítica (sem entrar em questão nas publicações de teoria) mais importante de toda a história do cinema.

Telerama

Télérama

Mas decidi ir a fundo nessa história, vou confirmar essa informação com todos os detalhes que ela merece. E se isso se confirmar, juro que vou escrever para Deus e o mundo, e se precisar eu organizo passeatas, petições, carrego placas, desço nas ruas, movimento toda o meio de cinema!

A Cahiers du Cinéma não pode desaparecer. Na época em que se fala de “crise do cinema francês” (ver post anterior), em que as revistas especializadas desaparecem aos montes (as boas, claro; porque aquelas que falam da vida dos astros hollywoodianos, estilo Première, vão de vento em popa), a perda da Cahiers seria o fim de uma das gerações de maior influência no pensamento cinematográfico.

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