Pouco antes do início do Festival de Cannes, começaram a circular pela Internet pequenos boatos sobre a autenticidade do evento. Segundo as notas anônimas (por que nunca ninguém assina tais ataques?), o todo-poderoso diretor Thierry Frémaux escolheria os filmes praticamente sem vê-los, aceitando mesmo a inscrição de títulos após a data limite, caso o diretor em questão lhe agrade. A ausência total de provas reforça a impressão de boato, mesmo que a história soe um tanto plausível.
Após os primeiros dias, outras suspeitas começam a rodear o festival, dessa vez relacionada à pressão (abertamente conhecida) para que um filme francês ganhe o prêmio máximo, a Palma de Ouro, algo que não ocorre faz mais de vinte anos. Neste ano, a estratégia estaria particularmente agressiva em torno do filme Un Conte de Noël, de Arnaud Desplechin. Tendo chegado ao festival após críticas excelentes de revistas especializadas, o drama de Desplechin estampa a capa da Cahiers du Cinéma e será lançada nos circuitos franceses durante antes do término do festival, banhada numa publicidade curiosamente intensa para um filme “de arte”.
Após sua primeira exibição em Cannes, Un Conte de Noël foi novamente ovacionado pelos compatriotas, que lançaram comentários um tanto incisivos como “o filme é tão bom que seria absurdo que o júri o ignorasse”. A mensagem foi dada. Vamos ver como os jurados – em grande número, franceses – vão reagir à pressão.
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