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	<title>Paris Na Linha &#187; Atualidades</title>
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	<description>Tudo sobre a Cidade-Luz na visão de brasileiros</description>
	<pubDate>Sun, 26 Oct 2008 10:59:01 +0000</pubDate>
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		<title>Tem que ser político</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jul 2008 11:20:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>

		<category><![CDATA[Festival do Cinema Brasileiro de Paris]]></category>

		<category><![CDATA[Paulo Caldas]]></category>

		<category><![CDATA[politica]]></category>

		<category><![CDATA[Sandra Kogut]]></category>

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		<description><![CDATA[No mês de maio, a grande presença do cinema brasileiro na França evidencia o  posicionamento do cinema atual rumo a um engajamento &#8220;do real&#8221;.
Com o fim do Festival de Cannes e do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, a França sediou, no mês de maio, mais de 40 filmes brasileiros, que vão do curta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No mês de maio, a grande presença do cinema brasileiro na França evidencia o  posicionamento do cinema atual rumo a um engajamento &#8220;do real&#8221;.</p>
<p>Com o fim do Festival de Cannes e do Festival de Cinema Brasileiro de Paris, a França sediou, no mês de maio, mais de 40 filmes brasileiros, que vão do curta ao longa-metragem, das grandes produções às experimentais, dos diretores mais famosos aos estreantes.</p>
<p>É possível aproximar as experiências destes dois eventos. O Festival do Cinema Brasileiro de Paris, embora bem menor do que Cannes, tem o mérito de trazer nosso cinema ao alcance do público comum, uma vez que as projeções de Cannes são fechadas à imprensa. Se este último trouxe visibilidade para o cinema brasileiro na mídia, o festival parisiense se infiltrou silenciosamente e alcançou um público significativo dentro do circuito &#8220;de arte&#8221;.</p>
<p><em>Paris e o &#8220;deserto rebelde&#8221;</em></p>
<p>O Festival do Cinema Brasileiro de Paris apresentou boa diversidade de filmes, organizou debates históricos e conversas com os diretores. As premiações disseram muito sobre como o cinema foi percebido: o público elegeu a comédia <em>Saneamento Básico</em>, de Jorge Furtado, premiando um gênero pouco conhecido no exterior. Já o júri fez uma escolha interessante, dividindo o prêmio máximo entre <em>Mutum</em>, de Sandra Kogut e <em>Deserto Feliz</em>, de Paulo Caldas.</p>
<p>Trata-se de filmes opostos: o de Kogut trabalha na chave do minimalismo, de uma poesia silenciosa construída através do olhar de uma criança. Já Paulo Caldas desconhece o silêncio: seu filme grita (literalmente, quase) a existência de um submundo, da pobreza, da prostituição, das drogas. Embora o júri tenha tentado abraçar tanto a herança do Cinema Novo em embalagem moderna (<em>Deserto Feliz</em>) quanto a &#8220;ousadia&#8221; de um filme clássico (<em>Mutum</em>), o prêmio suplementar de melhor atriz para o filme de Paulo Caldas faz com que esse saia como &#8220;grande vencedor&#8221;.</p>
<p><em>Cannes e as &#8220;visões do inferno&#8221;</em></p>
<p>Cannes também apresentou duas obras de diretores brasileiros em competição, além de outros longas e curtas em mostras paralelas. Sobre os dois &#8220;brasileiros&#8221; da competição oficial, <em>Linha de Passe</em> de Walter Salles e <em>Blindness</em> de Fernando Meirelles (poderia se questionar a nacionalidade desse segundo, que ostenta o nome da Miramax e de vários atores americanos), a recepção foi fraca.</p>
<p>O filme de Meirelles abriu a competição, e as críticas foram decepcionantes. <em>Blindness</em> seria um tanto afetado, segundo os jornalistas; marcado por um estetismo que se sobreporia ao lado humano da obra. O diretor, visivelmente ferido pela opinião geral, defendeu o inetidismo de seu filme e acusou as críticas &#8220;apressadas&#8221; dos jornalistas.</p>
<p><em>Linha de Passe </em>não teve críticas tão negativas, mas também não despertou grande entusiamo. Isso não impediu, no entanto, que ele ganhasse o prêmio de melhor atriz das mãos do presidente do júri, Sean Penn, que cumpriu a promessa de premiar filmes que &#8220;mostrem consciência do mundo que os cerca&#8221;. Sim, <em>Linha de Passe </em>trata de uma família carente, e o título se juntou aos outros abertamente políticos da competição (<em>Entre Les Murs</em>, <em>Il Divo</em>, <em>Gomorra</em>), todos premiados.</p>
<p>Cannes deixou clara a importância do cinema político hoje em dia. No momento em que os documentários são valorizados por serem mais &#8220;reais&#8221;, o festival de cinema mais importante do mundo despreza os filmes fictícios e intimistas. Estabelece-se uma hierarquia temática: é mais importante falar de sociedade do que falar do indivíduo; do público do que do privado. Acima de tudo, fica evidente a perda da capacidade de abstração do olhar contemporâneo: o filme político tem que ser explícito, não há espaço para a poesia, para a metáfora. Ficção torna-se sinônimo de alienação.</p>
<p>Pode-se notar certas semelhanças entre os resultados dos dois festivais, pelo menos nas reflexões sobre cinema do Brasil. Assim como <em>Deserto Feliz </em>foi elogiado pelo imediatismo da obra (&#8221;seu filme fala sobre o real&#8221;, exclamou um crítico de cinema que compunha o júri), <em>Linha de Passe </em>foi elogiado pelo jornal Le Monde pelo &#8220;retrato do inferno&#8221; que ele realiza sobre São Paulo.</p>
<p>Neste contexto, o filme torna-se um produto útil, uma arma militante. O engajamento contemporâneo, mesmo que louvável em sua intenção, só permite uma relação com o real: a reprodução da realidade (e não a construção ou significação do mesmo). Não é de se estranhar que as cinematografias de países subdesenvolvidos estejam em voga nos festivais europeus: a partir do momento em que as atenções dos países ricos se dirigem para o sul do globo, o cinema brasileiro tem tudo para aproveitar seu crescimento qualitativo e se destacar.</p>
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		<title>Defender um filme</title>
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		<pubDate>Mon, 19 May 2008 15:08:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>

		<category><![CDATA[Fernando Meirelles]]></category>

		<category><![CDATA[Festival de Cannes]]></category>

		<category><![CDATA[Walter Salles]]></category>

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		<description><![CDATA[Começou o Festival de Cannes 2008, com um destaque especial para a grande quantidade de produções latino-americanas entre entre os 22 selecionados, e com a honra de ter um filme de abertura de um diretor brasileiro: Blindness, de Fernando Meirelles.
Para a surpresa geral, o filme foi mal-recebido. Ao fim da sessão, não houve aplausos (aliás, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começou o Festival de Cannes 2008, com um destaque especial para a grande quantidade de produções latino-americanas entre entre os 22 selecionados, e com a honra de ter um filme de abertura de um diretor brasileiro: <em>Blindness</em>, de Fernando Meirelles.</p>
<p>Para a surpresa geral, o filme foi mal-recebido. Ao fim da sessão, não houve aplausos (aliás, aparentemente alguém iniciou, solitário, a salva que não foi seguida pelos outros), num lugar este símbolo é realmente valorizado e não existem as “palmas por educação”: se não se gosta do filme, não se aplaude. A falta de aplausos, em Cannes, é um sinal grave.</p>
<p>Logo em seguida, começaram a sair os textos da imprensa: &#8220;cansativo&#8221;, &#8220;óbvio&#8221;, &#8220;redundante&#8221;, &#8220;moralista&#8221;, o filme de Meirelles chegou mesmo ao cúmulo de ser atacado enquanto projeto, pela revista <em>Variety</em>, que disse que o filme não deveria sequer ter sido feito (crítica que é, independente da qualidade da obra, absurdamente pretensiosa).</p>
<p>O diretor ficou chocado, e tratou de responder educadamente aos jornalistas. Primeiro, disse que respeita todas as opiniões; para logo em seguida dizer que ele fez uma obra muito &#8220;ousada&#8221;, que realmente tinha arriscado muito. Ou seja, inverteu curiosamente a qualidade das acusações, como se ele fosse muito à frente de seu tempo, à frente mesmo das sensibilidades de centenas de jornalistas. </p>
<p>Essa educação com uma pitada de arrogância continua, com a afirmação de que os jornais que tiveram mais tempo para a redação das críticas haviam emitido mais positivas, o que significa que um filme, nas suas palavras, precisaria de &#8220;tempo para decantar&#8221;. Novamente, a culpa é dos críticos, ou da estrutura do festival. </p>
<p>De fato, não é nada fácil receber críticas negativas em um lugar tão importante como Cannes. Quando um segundo filme brasileiro foi apresentado, e novamente mal-acolhido, foi a vez dos críticos brasileiros partirem para em sua defesa. <em>Linha de Passe </em>ficou longe dos ataques dirigidos à <em>Blindness</em>, mas sofreu novamente do silêncio, ou mais especificamente do desprezo de críticos que julgaram a obra simplesmente boa. Nada demais. </p>
<p>Os jornalistas das revistas <em>Cinética</em>, <em>Contracampo</em> e <em>Cinemascópio</em> foram unânimes quanto à beleza do filme, que seria o melhor do diretor Walter Salles desde <em>Terra Estrangeira</em> (no caso, ainda melhor que <em>Central do Brasil</em>). Mas o filme simplesmente não empolgou. Chocado, um crítico chegou a afirmar que essa recepção fria se daria ao fato que &#8220;os franceses não conhecem a realidade brasileira&#8221;. Ora, então é preciso conhecer o Brasil para gostar do filme? Ele só poderia ser apreciado dentro do país?</p>
<p>Diante de duas decepções num espaço de três dias, fica evidente a tristeza da crítica e a solução da defesa cega do filme (e do contra-ataque), como se o próprio país tivesse sendo atacado através do silêncio alheio. Cannes pode ser cruel, pode lançar ou arruinar uma obra. Talvez os filmes em questão sejam realmente ruins, talvez a crítica tenha tal ou tal preconceito. Mas parece que não foi dessa vez que o cinema brasileiro vai ter o sonhado reconhecimento do maior festival de cinema do mundo.</p>
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		<title>Cannes sob suspeita</title>
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		<pubDate>Mon, 19 May 2008 15:03:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Arnaud Desplechin]]></category>

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		<description><![CDATA[Pouco antes do início do Festival de Cannes, começaram a circular pela Internet pequenos boatos sobre a autenticidade do evento. Segundo as notas anônimas (por que nunca ninguém assina tais ataques?), o todo-poderoso diretor Thierry Frémaux escolheria os filmes praticamente sem vê-los, aceitando mesmo a inscrição de títulos após a data limite, caso o diretor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pouco antes do início do Festival de Cannes, começaram a circular pela Internet pequenos boatos sobre a autenticidade do evento. Segundo as notas anônimas (por que nunca ninguém assina tais ataques?), o todo-poderoso diretor Thierry Frémaux escolheria os filmes praticamente sem vê-los, aceitando mesmo a inscrição de títulos após a data limite, caso o diretor em questão lhe agrade. A ausência total de provas reforça a impressão de boato, mesmo que a história soe um tanto plausível.</p>
<p>Após os primeiros dias, outras suspeitas começam a rodear o festival, dessa vez relacionada à pressão (abertamente conhecida) para que um filme francês ganhe o prêmio máximo, a Palma de Ouro, algo que não ocorre faz mais de vinte anos. Neste ano, a estratégia estaria particularmente agressiva em torno do filme <em>Un Conte de Noël</em>, de Arnaud Desplechin. Tendo chegado ao festival após críticas excelentes de revistas especializadas, o drama de Desplechin estampa a capa da <em>Cahiers du Cinéma </em>e será lançada nos circuitos franceses durante antes do término do festival, banhada numa publicidade curiosamente intensa para um filme &#8220;de arte&#8221;.</p>
<p>Após sua primeira exibição em Cannes, <em>Un Conte de Noël </em>foi novamente ovacionado pelos compatriotas, que lançaram comentários um tanto incisivos como &#8220;o filme é tão bom que seria absurdo que o júri o ignorasse&#8221;. A mensagem foi dada. Vamos ver como os jurados – em grande número, franceses – vão reagir à pressão.</p>
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		<title>A poesia e a rebeldia</title>
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		<pubDate>Mon, 19 May 2008 14:49:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[Deserto Feliz]]></category>

		<category><![CDATA[Festival do Cinema Brasileiro de Paris]]></category>

		<category><![CDATA[Mutum]]></category>

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		<description><![CDATA[O Festival do Cinema Brasileiro de Paris continua, mas a primeira semana, em que são apresentados os filmes em competição, já acabou. Logo foram apresentados os vencedores: Mutum e Deserto Feliz dividiram o prêmio de melhor filme, mas esse último saiu com certo ar de &#8220;grande vencedor&#8221; por ter abocanhado também o prêmio de melhor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.parisnalinha.com/festival-de-cinema-brasileiro-de-paris/147/" >O Festival do Cinema Brasileiro de Paris</a> continua, mas a primeira semana, em que são apresentados os filmes em competição, já acabou. Logo foram apresentados os vencedores: <em>Mutum </em>e <em>Deserto Feliz </em>dividiram o prêmio de melhor filme, mas esse último saiu com certo ar de &#8220;grande vencedor&#8221; por ter abocanhado também o prêmio de melhor atriz.</p>
<p>Essa divisão foi um tanto inesperada, não tanto por sua raridade (prêmios são divididos com freqüência), mas pelos filmes que seduziram os jurados. No caso, são duas obras praticamente opostas: <em>Mutum</em> é uma obra construída em simplicidade, silêncio. Suas ações são cheias de poesia e de uma delicadeza ímpar. </p>
<p><em>Deserto Feliz</em>, ao contrário, desconhece  o silêncio. Todas suas cenas são um grito, uma denúncia rebelde e forçosamente engajada. As ações variam do sexo ao consumo de drogas, banhados em câmera tremida e imagem distorcida.</p>
<p>Talvez a intenção deste prêmio tenha sido justamente a completude dos dois opostos, modo provavelmente democrático de não tomar partido por nenhuma vertente cinematográfica, de abraçá-las todas. Mas me parece que, juntos, esses filmes se anulam, e que a equivalência de duas visões de mundo enfraquece ambas. Num festival em que duas estátuas foram atribuídas, não houve vencedor.</p>
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		<title>Prazer, meu nome é David Lynch</title>
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		<pubDate>Thu, 15 May 2008 09:23:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>

		<category><![CDATA[David Lynch]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei sabendo por indicação de uma amiga, quase por acaso, que David Lynch estaria numa livraria parisiense autografando sua autobiografia.
A animação tomou conta de nós, talvez pela facilidade com que veríamos um importantíssimo diretor de cinema em carne e osso. É engraçada essa relação que muitas pessoas têm (eu, inclusive) com as celebridades: já conhecemos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei sabendo por indicação de uma amiga, quase por acaso, que David Lynch estaria numa livraria parisiense autografando sua autobiografia.</p>
<p>A animação tomou conta de nós, talvez pela facilidade com que veríamos um importantíssimo diretor de cinema em carne e osso. É engraçada essa relação que muitas pessoas têm (eu, inclusive) com as celebridades: já conhecemos suas imagens, mas é totalmente diferente quando eles estão lá, do nosso lado, alcançáveis, palpáveis.</p>
<p>Lynch estava sentado numa mesinha, olhar plácido e simpático, conversando com todo mundo. Eu admirava sua simpatia, as rugas do rosto e mesmo a paixão que ele mostrava pelo cachorro de uma das clientes da loja. E fiquei esperando, não sei porque, que ele dissesse algo que o ligasse aos seus filmes, que ele exteriorizasse na sua própria imagem o sobrenatural de sua obra. Que ele fosse, enfim, um filme de David Lynch.</p>
<p>Mas ele era só um homem bacana, que cumprimentou todos, se levantou e foi tomar um café ao lado da livraria, cercado de amigos. Logo apareceu, para aumentar o caráter improvável da noite, Charlotte Rempling, que se sentou ao lado dele entre risos e brincadeiras de colegas.</p>
<p>Perdi a chance de tirar uma foto. Não tinha máquinas, nem celular que tirasse foto. Não tinha vontade de fotografar para mostrar à todo mundo, uma vez que ele viraria mais uma imagem como todas as outras que se conhece dele. Eu queria mesmo guardar meu próprio olhar, minha surpresa, e a beleza dessa cena banal que é ver David Lynch sentado num cafezinho em Paris.</p>
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		<title>O desprezo pelo nacional</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 11:42:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>

		<category><![CDATA[Abdellatif Kechiche]]></category>

		<category><![CDATA[Agnès Jaoui]]></category>

		<category><![CDATA[François Ozon]]></category>

		<category><![CDATA[Glauber Rocha]]></category>

		<category><![CDATA[Mario Peixoto]]></category>

		<category><![CDATA[Robert Guédiguian]]></category>

		<category><![CDATA[Trapalhões]]></category>

		<category><![CDATA[Xuxa]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu vim para a França com uma ótima opinião sobre o cinema francês. Não só pelos momentos históricos importantes (realismo dos anos 20, nouvelle vague dos anos 60), mas também pelo cinema francês moderno. Afinal, os caras têm nomes como Robert Guédiguian, François Ozon, Agnès Jaoui, Bruno Dumont e muitos outros recentes que costumam fazer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu vim para a França com uma ótima opinião sobre o cinema francês. Não só pelos momentos históricos importantes (realismo dos anos 20, nouvelle vague dos anos 60), mas também pelo cinema francês moderno. Afinal, os caras têm nomes como Robert Guédiguian, François Ozon, Agnès Jaoui, Bruno Dumont e muitos outros recentes que costumam fazer trabalhos interessantes.</p>
<p>E também vim com a mémoria de um Brasil que despreza o próprio cinema. Quantas vezes não ouvimos falar que o cinema brasileiro é só nudez (argumento de pais e avós), ou então que é fraco tecnicamente, que não tem história (argumento dos jovens)? Mesmo os que são mais próximos do cinema lamentam com uma certa amargura o fato das nossas maiores bilheterias serem quase todas formadas por filmes da Xuxa ou dos Trapalhões.</p>
<div class="captionleft"><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/2008/04/cinema-le-latina.jpg" alt="Le Latina" title="Le Latina" /></p>
<p>Cinema <em>Le Latina</em> em Paris<br />
destinado à exibição de filmes latinos</p>
</div>
<p>Pois encontrei aqui na França um discurso que me surpreendeu. Conversando com franceses, encontro quase sempre as mesmas afirmações de que atualmente o cinema francês é horrível, que só têm grandes produções industriais, mas o cinema de fora que é bom! “Ah, você é brasileiro? Eu adorei <em>O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias</em>!”.</p>
<p>Daí fica aquela impressão do recorte: o que eu amava do cinema francês enquanto estava no Brasil era um recorte de boa qualidade: digamos que chegam muito mais filmes do Rohmer e Chabrol do que produções comerciais à la americana, o que nos dá impressão de que o cinema francês guarda uma qualidade impecável de cinema do primeiro mundo. </p>
<div class="captionright"><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/2008/04/festival-de-cinema-frances.jpg" alt="Festival de cinema frances" title="Festival de cinema frances" /></p>
<p>Festival de cinema francês em São Paulo</p>
</div>
<p>Do mesmo modo, a francesada que gosta de cinema “de arte” pôde conferir, como últimos títulos brasileiros, <em>O Ano Em Que Meus Pais Saíram de Férias</em>, <em>O Céu de Suely</em> e <em>Cinema, Aspirinas e Urubus</em>, ou seja, o que o nosso cinema tem produzido de melhor. Não é de se espantar que eles tenham boa impressão do cinema latino-americano.</p>
<p>Talvez a diferença fique por conta da nostalgia. Por aqui, o pessoal despreza o cinema atual em prol de uma doração dos filmes do passado (curiosamente, mais os filmes poéticos da década de 20 do que a nouvelle vague), enquanto no Brasil o desprezo parece ter sempre existido. Haveria nostalgia em relação aos filmes do Glauber Rocha ou Mário Peixoto? Duvido.</p>
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		<title>Alguém me disse</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 13:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>

		<category><![CDATA[André Bazin]]></category>

		<category><![CDATA[Cahiers du Cinéma]]></category>

		<category><![CDATA[critica de cinema]]></category>

		<category><![CDATA[Positif]]></category>

		<category><![CDATA[Télérama]]></category>

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		<description><![CDATA[OK, admito que é boataria mesmo. Não tenho (ainda) nenhuma confirmação das informações abaixo, mas elas não deixam de ser alarmantes mesmo assim.
Estava conversando com uma jornalista da revista cultural Télérama, quando ela me disse que a empresa ia muito mal das pernas. Segundo ela, eles já estariam discutindo uma possível venda, ou mesmo, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>OK, admito que é boataria mesmo. Não tenho (ainda) nenhuma confirmação das informações abaixo, mas elas não deixam de ser alarmantes mesmo assim.</p>
<p>Estava conversando com uma jornalista da revista cultural <em>Télérama</em>, quando ela me disse que a empresa ia muito mal das pernas. Segundo ela, eles já estariam discutindo uma possível venda, ou mesmo, e última instância, o fim da revista.</p>
<div class="captionleft"><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/2008/04/alguem-me-disse-125-1.jpg" alt="Les Cahiers du Cinema" title="Les Cahiers du Cinema" /></p>
<p>Les Cahiers du Cinéma</p>
</div>
<p>E de repente ela teve um estalo. “Ah, e nem falo da <em>Cahiers du Cinéma</em>, que já está com um pé na cova!”. Daí eu arregalei os olhos, desesperado: como assim? Eu nem sou tão fã do <em>Télérama</em>, mas mexer com a <em>Cahiers</em> já é demais! “Sim, há muita chance que a revista desapareça, já que ninguém quer comprá-la. Ela é muito cara e não dá retorno”.</p>
<p>Admito que minha vida (cinematográfica) passou inteira diante dos olhos. Os <em>Cahiers</em> são lendários, foram responsáveis pela divulgação das idéias do Bazin, estabeleceram a galera de críticos-realizadores da <em>nouvelle vague </em>(Godard, Rohmer, Truffaut, Chabrol) e instauraram uma das discussões mais férteis sobre crítica de cinema com a <em>Positif</em>. Os <em>Cahiers</em> são provavelmente a revista de crítica (sem entrar em questão nas publicações de teoria) mais importante de toda a história do cinema.</p>
<div class="captionright"><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/2008/04/alguem-me-disse-125-2.jpg" alt="Telerama" title="Telerama" /></p>
<p>Télérama</p>
</div>
<p>Mas decidi ir a fundo nessa história, vou confirmar essa informação com todos os detalhes que ela merece. E se isso se confirmar, juro que vou escrever para Deus e o mundo, e se precisar eu organizo passeatas, petições, carrego placas, desço nas ruas, movimento toda o meio de cinema! </p>
<p>A <em>Cahiers du Cinéma </em>não pode desaparecer. Na época em que se fala de “crise do cinema francês” (ver post anterior), em que as revistas especializadas desaparecem aos montes (as boas, claro; porque aquelas que falam da vida dos astros hollywoodianos, estilo <em>Première</em>, vão de vento em popa), a perda da <em>Cahiers</em> seria o fim de uma das gerações de maior influência no pensamento cinematográfico.</p>
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		<title>Salvar o cinema francês</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Apr 2008 14:04:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>

		<category><![CDATA[bilheteria]]></category>

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		<category><![CDATA[pascale ferran]]></category>

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		<category><![CDATA[UGC]]></category>

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		<description><![CDATA[O rico e tradicional cinema francês está em crise. Pelo menos é o que dizem 13 profissionais do cinema conhecidos como “Grupo dos 13”, composto por diretores, roteiristas e distribuidores franceses e liderado pela cineasta Pascale Ferran (autora, entre outros, de Lady Chatterley).

Pascale Ferran no &#8220;Cinéma le Panthéon&#8221; em Paris - Photo Sébastien Calvet

A constatação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O rico e tradicional cinema francês está em crise. Pelo menos é o que dizem 13 profissionais do cinema conhecidos como “Grupo dos 13”, composto por diretores, roteiristas e distribuidores franceses e liderado pela cineasta Pascale Ferran (autora, entre outros, de <em>Lady Chatterley</em>).</p>
<div class="captionleft"><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/2008/04/arton3738-55b7a.jpg" alt="" title="Pascale Ferran" />
<p>Pascale Ferran no &#8220;Cinéma le Panthéon&#8221; em Paris - Photo Sébastien Calvet</p>
</div>
<p>A constatação vem das estatísticas alarmantes: a França sempre foi um dos únicos países a ter mais de 50% de bilheteria nacional, mas em 2006 esse número caiu sensivelmente, para 45%, confirmando a invasão dos filmes americanos e a diminuição de produções francesas. Em 2007, cifra ainda pior: somente 35% de bilheteria.</p>
<p>Para frear essa queda vertiginosa, o grupo dos 13 escreveu um relatório de mais de 200 páginas em tentativa de compreender os “culpados” e recolocar o cinema francês nos trilhos. Os principais fatores mencionados dizem respeito ao desprezo dos canais de televisão pelos filmes franceses, a fraca distribuição pelas grandes empresas como Pathé e UGC, além de problemas de exportação dos títulos.</p>
<p>Segundo os autores do texto, o financiamento estatal também teria mudado sensivelmente, de modo que a verba seria destinada em proporções cada vez maiores aos <em>blockbusters </em>franceses como <em>Asterix nos Jogos Olímpicos </em>(2008), segunda produção mais cara da história do país, tendo custado 78 milhões de euros além dos 20 milhões para a distribuição.</p>
<p>O relatório foi entregue à ministra da Cultura, Christine Albanel, que prometeu uma reunião com os autores para discutir possíveis soluções.</p>
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		<title>A repercussão dos Ch&#8217;tis</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Apr 2008 14:01:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Atualidades]]></category>

		<category><![CDATA[Ch'ti]]></category>

		<category><![CDATA[Dany Boon]]></category>

		<category><![CDATA[repercussão]]></category>

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		<description><![CDATA[Se a bilheteria de um filme pode ser calculada com precisão, há um outro índice para se medir a influência de um obra: sua repercussão. No caso, trata-se da capacidade de um filme em ser comentado fora do meio do cinema, e empregnar o vocabulário e mesmo a política.
Bienvenue Chez Les Ch’tis é um caso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se a bilheteria de um filme pode ser calculada com precisão, há um outro índice para se medir a influência de um obra: sua repercussão. No caso, trata-se da capacidade de um filme em ser comentado fora do meio do cinema, e empregnar o vocabulário e mesmo a política.</p>
<p><em>Bienvenue Chez Les Ch’tis </em>é um caso perfeito de um filme de grande repercussão. Além das cifras surpreendentes de público, este título de Dany Boon fez crescer o comércio no norte da França (cenário do filme), bem como a popularidade do próprio diretor-ator – que ganhou diversas retrospectivas televisivas – e até impôs à linguagem da França inteira o termo “carinhoso” <em>biloute</em> que significaria, em tradução literal, “pênis pequeno”.</p>
<div class="captionright"><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/2008/04/photo_1206979393322-1-0.jpg" alt="bandeira" title="bandeira" width="250px" />
<p>A bandeira</p>
</div>
<p>O mais surpreendente, no entanto, aconteceu num jogo de futebol que opunha a equipe parisiense do PSG (em má situação no campeonato) contra um time “ch’ti”, do norte da França. Um grupo de torcedores colocou uma enorme bandeira com os dizeres “desempregados, pedófilos e consanguíneos: bem-vindos aos ch’tis”. </p>
<p>A reação foi imediata, primeiramente pela incitação à violência, e segundo por atacar de modo superficial dois pontos nevrálgicos da região norte: a taxa de desemprego superior à média francesa, os casos de pedofilia registrados recentemente e a suposta tradição de uniões entre membros de uma mesma família. </p>
<div class="captionleft"><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/2008/04/dany-boon-revolte-118148.jpg" alt="dany-boon-revolte" title="dany-boon-revolte" width="250px"  />
<p>Dany Boon revoltado</p>
</div>
<p>O caso continua a ser pesquisado, mas basta dizer que o prefeito da região Norte Pas-de-Calais apareceu nas televisões condenando o caso e afirmando que “o filme de Dany Boon mostra, sim, um visão positiva da região”. Ou seja, foram defendidos tanto os moradores como o filme, em igual proporção e como um grupo único. Até Dany Boon foi chamado para comentar o caso e dizer, com uma seriedade bem diferente de seu personagem paspalhão, que já é hora de se tomar medidas mais duras contra as torcidas organizadas.</p>
<p>Ora, no momento em que um diretor de cinema é respeitado por suas pressões políticas, é plausível considerá-lo, de fato, influente. Enquanto isso, os Ch’tis continuam quebrando recordes de bilheteria. E a região do leste, a Alsace, já anunciou a produção de seu “Bem-vido à Alsácia”. Vamos esperar. </p>
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