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	<title>Paris Na Linha &#187; Crônicas</title>
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	<description>Tudo sobre a Cidade-Luz na visão de brasileiros</description>
	<pubDate>Tue, 08 Jul 2008 11:20:27 +0000</pubDate>
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		<title>Here Comes The Sun</title>
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		<pubDate>Sun, 11 May 2008 10:11:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[calor]]></category>

		<category><![CDATA[verão]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou o verão em Paris. Dani comemorou, afinal fazia meses que ela não agüentava mais o frio e seus casacos que escondiam blusas que escondiam, por sua vez, outras blusas por baixo. Agora ela pegou a blusinha no fundo do armário, vestiu um shortinho curto e fez um dobrinha de um centímetro na borda do shorts, para ficar ainda mais curto e apertar bem justinho as carnes da coxa.</p>
<p>Ela enrolou uma toalha, enfiou a garrafa d&#8217;água na bolsa e foi para o Jardin des Halles. Ela ficou surpresa com a quantidade enorme de gente que também usava alcinha, shortinho e mesmo uma dobrinha. Mas ela se sentia bem, mais bonita, com um bom-humor inabalável. Ela estendeu sua toalha num canto livre do gramado, encarou os vizinhos e os julgou simpáticos; e depois se sentou.</p>
<p>Ela tirou uma revista que já tinha lido e que não reteve sua atenção por muito tempo. Como prestar atenção nas páginas quando há tanta gente em volta, tanta gente bonita, tão livre e desocupada como ela; tanta gente que olha para os lados e também ignora suas páginas de revista? Ela achou engraçado pegar seu iPod e ouvir &#8220;Here Comes The Sun&#8221;, dos Beatles. Um vento gostoso lhe bateu no rosto e lhe fez abrir um sorriso exagerado.</p>
<p>Dani olhou suas próprias coxas brancas e mal-raspadas, mas as achou bonitas mesmo assim. Um estrangeiro com cara de italiano (eles não parecem todos italianos?) a olhou de canto de olho, e olhos de Dani desviaram das próprias pernas para o rosto quadrado do sujeito. Ela respondeu ao olhar, na alegria toda frívola de se sentir bela. Ela esperou que o italiano cruzasse metade do parque, que chegasse perto para ela se levantar e ir embora. Aí ela se achou ainda mais gostosa, sorriu ainda mais aberto à brisa que lhe batia novamente no rosto.</p>
<p>Ela chegou em casa e colocou a mochila no chão. O espelho revelou que suas coxas brancas e mal-raspadas ficavam muito mais feias sob a luz da lâmpada. Aí ela entrou no banho, rebolando um pouquinho, soltando leves suspiros de um prazer simples. Era muito gostoso o calor de Paris.</p>
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		<title>Protesto!</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2008 17:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[manifestação]]></category>

		<category><![CDATA[passeata]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Francês adora uma manifestação e todas as suas derivações. Desde que uma delas deu certo e a Bastilha caiu, há duzentos e tantos anos, pegaram um grande gosto pela coisa. Todo dia tem uma em Paris, pelos motivos os mais&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Francês adora uma manifestação e todas as suas derivações. Desde que uma delas deu certo e a Bastilha caiu, há duzentos e tantos anos, pegaram um grande gosto pela coisa. Todo dia tem uma em Paris, pelos motivos os mais diversos. Ontem mesmo esbarrei em uma passeata pelo direito dos cães. Não entendi direito o que significava, e parece que os donos dos bichos também não. Mas os cachorros, que obviamente marcavam presença, pareciam bem contentes, e babavam e latiam de felicidade.</p>
<p>Quando cheguei em casa, encucado com a situação, comecei a fazer uma lista de possíveis novas manifestações, organizações e movimentos, caso a inspiração dos parisienses acabe um dia. Compartilho-a com vocês:</p>
<p><strong>. Movimento Mais Manteiga no Croissant (MMMCrô)</strong></p>
<p>Nada mais triste do que comprar um croissant amanteigado e ele estar seco, duro e sem gosto. Se o nome diz &#8220;croissant na manteiga&#8221;, então que venha realmente com o que promete.</p>
<p>Palavra de ordem: <em>&#8220;Ô, Pierre, assim já não vai dar / Coloca mais manteiga ou o bicho vai pegar, uh la la&#8221;</em></p>
<p><strong>. Aliança Pró Vinho Tinto nas Escolas (Bebe, bebê)</strong></p>
<p>Todo francês um dia vai acabar bebendo vinho tinto, então melhor começar logo cedo. Chega de suco de laranja encaixotado! Chega de água com calcário! Vinho tinto para todos.</p>
<p>Palavra de ordem: <em>&#8220;O vinho tinto / Por ele tenho apreço / Está sempre comigo / Começa já no berço&#8221;<br />
</em></p>
<p><strong>. Bastiões do Mau Humor Francês (BoF!)</strong></p>
<p>O mau humor é uma instituição francesa, como a Torre Eiffel e o biquinho. Não se pode mexer nisso. Essa coisa de rir à toa não pega muito bem por aqui. Antes que consigam transformar a França em um país de sorridentes, saiamos às ruas!</p>
<p>Palavra de ordem: não tem, pois as pessoas podem achar engraçado, e não é essa a intenção.</p>
<p><strong>. Manifestação Contra o Direito de Usar Calça Capri (MaCaCa)</strong></p>
<p>O verão na França é agradável, ainda mais depois de seis meses de frio. Mas tem uma coisa nessa estação que definitivamente não é legal: é só começar a esquentar e milhares de pessoas saem às ruas com suas calças capri, aquelas de pegar siri, que acabam no meio da canela. A calça capri é uma das mais execráveis peças de vestuário já inventadas, junto com a pochete e a camiseta regata. Lutar contra isso é mais que nosso direito, é nosso dever.</p>
<p>Palavra de ordem: <em>&#8220;Ei, você de calça capri nesse horrível tom vermelho / Você não se enxerga ou quebrou o seu espelho?&#8221;</em></p>
<p><strong>. Passeata dos Que Estão à Toa (Paquetô)</strong></p>
<p>Tá em casa de bobeira? Deu aquele comichão para dar uma reclamadinha? Junte-se a eles. Não se preocupe com o motivo da manifestação, qualquer um vale. Importante: traga suas próprias bandeirolas, pois se a passeata é coletiva, os protestos são individuais.</p>
<p>Palavra de ordem: <em>&#8220;Eu vim pra reclamar / Não vim pra fazer média / Se motivo me faltar / Acho um na enciclopédia&#8221;</em></p>
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		<title>Não tinha teto, não tinha nada</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Mar 2008 09:34:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ano passado, uma infiltração d'água estragou as pinturas da sala e da cozinha e reuniu metade da defesa pública de Paris no meu apartamento. Pouco tempo depois começou um vazamento na caixa de descarga e na pia do banheiro. Uma verdadeira crise aquática. Apesar dos apelos encharcados, só agora, 8 meses depois, o seguro autorizou a reparação dos problemas. Se as coisas demoram no Brasil, na França podem demorar, demorar, demorar muito mais...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://cheriaparis.blogspot.com/2007/07/pinga-ni-mim.html"href='http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/imagem1.jpg' title='Pintor'><img src='http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/imagem1.jpg' alt='Pintor' /></a> Ano passado, uma <a  onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/cheriaparis.blogspot.com');">infiltração d&#8217;água</a> estragou as pinturas da sala e da cozinha e reuniu metade da defesa pública de Paris no meu apartamento. Pouco tempo depois começou um vazamento na caixa de descarga e na pia do banheiro. Uma verdadeira crise aquática. Apesar dos apelos encharcados, só agora, 8 meses depois, o seguro autorizou a reparação dos problemas. Se as coisas demoram no Brasil, na França podem demorar, demorar, demorar muito mais.</p>
<p>Duas pessoas foram escaladas para o conserto. Luís, o sorridente pintor, se diz um refugiado político colombiano. Tem uns 20 e poucos anos, e está na França há 2. Previu 5 dias de trabalho pra raspar e pintar 25m2. Já Rollin, um simpático senhor francês, é bombeiro hidráulico há 43 anos. Enquanto o primeiro espalhou plásticos, latas e pincéis pela casa, o outro se fechou no banheiro. A dupla não inspirava muita confiança, e resolvi sair pra tomar um ar.</p>
<p>Quando voltei, Rollin falava no celular, que estava apoiado entre a cabeça e o ombro, enquanto tentava arrancar a pia na marra. E Luís tinha sacado um videogame PlayStation portátil. Achei que ele fosse sentar no chão e iniciar um jogo, e eu já estava até pensando em pedir pra ficar de próxima. Mas aí apertou uns botões e começou a sair música do aparelho.</p>
<p>- Es la música colombiana. ¿Te molestas?<br />
- Vai fundo. Não incomoda nada.</p>
<p>A salsa comia a todo volume. No meio de vários &#8220;arriba&#8221;, um &#8220;ai&#8221;, mais alto. Achei que fizesse parte da canção, mas logo ele se repetiu, dessa vez fora do ritmo. A porta do banheiro se abre e Rollin escapa saltando, com o dedo na boca e cara de bebê-chorão. A cena, se não era patética, chegava muito perto disso.</p>
<p>- Merde! Cortei o dedo.<br />
- Quer um band-aid?<br />
- Oui, merci!</p>
<p>O trabalho havia acabado de começar, mas a primeira pausa já era necessária. Rollin, chupando o dedo, viu uma foto do Senegal na estante e perguntou se eu conhecia o país. Logo alternou uma tese sobre o lugar e o lamento pelo machucado.</p>
<p>- No interior, as pessoas dormem em casas de palha.<br />
- Meu dedo&#8230;<br />
- Tem muita pobreza lá.<br />
- Ai, tá sangrando ainda.</p>
<p>30 minutos de histórias e &#8220;ai ai ai&#8221; depois, ele voltou ao trabalho. Aliás, ele e o Luís, que também parou o que fazia para participar do debate. Rollin acabou o último causo e se trancou no banheiro. Exatos 26 segundos depois, saiu pra atender o telefone. E voltou. E o telefone tocou. E ele saiu. E voltou de novo. E tocou de novo. E saiu de novo.</p>
<p>Indiferente ao vai-e-vem do bombeiro, Luís raspava a parede e se sacudia no compasso do som.</p>
<p>- ¿Conoces Maná? Es un grupo mexicano.<br />
- Não, do méxico só conheço Café Tacuba.<br />
- ¿Café Tacuba? Je les adore.<br />
- Eu gosto também.<br />
- Mas do que gosto mesmo é do carnaval brasileiro.<br />
- Ah, legal. Já foi?<br />
- Eu? Nunca.</p>
<p>Mais uma vez, Rollin abre a porta de supetão, tipo o Kramer, do Seinfeld. Levei um susto. &#8220;Agora vou precisar chamar a emergência&#8221;, pensei. Mas ele só queria avisar que tinha terminado o trabalho.</p>
<p>- Acabei.<br />
- Já?<br />
- Troquei a pia.<br />
- Ótimo.<br />
- E também a caixa de descarga. Olha aqui: o botão menor solta água suficiente para pequenos problemas. E o maior para problemas mais sólidos, entende?<br />
- O senhor não poderia ser mais claro.</p>
<p>Trabalho feito, um dos trapalhões foi embora. Luís, o outro, continuou na labuta um pouco mais. Mas não por muito tempo, pois Dedé sem Didi não faz sentido.</p>
<p>- Acabei por hoje. Já raspei toda a tinta velha e passei um impermeabilizante.<br />
- Tá ok.<br />
- Você vai ver como o trabalho vai ficar bom. A nova pintura vai durar 5 anos .<br />
- 5 anos?<br />
- Bom, entre 3 e 4 eu garanto.<br />
- Como?<br />
- Olha, tenho certeza absoluta que 2 anos ela segura, pois&#8230;</p>
<p>Interrompi o raciocício do sujeito. No passo que a coisa ia, era capaz de ele querer refazer mesmo antes de estar pronto.</p>
<p>- Obrigado. E até semana que vem.<br />
- Semana que vem?<br />
- Claro, pra acabar de pintar.<br />
- Ah, é.</p>
<p>Agora já não sabia se ficava feliz, porque ele voltaria pra acabar o serviço. Ou se ficava triste, exatamente pelo mesmo motivo.</p>
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