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	<title>Paris Na Linha &#187; Visitamos</title>
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	<description>Tudo sobre a Cidade-Luz na visão de brasileiros</description>
	<pubDate>Sun, 26 Oct 2008 10:59:01 +0000</pubDate>
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		<title>Paris tem comida japonesa acessível. Só não tem rodízio.</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Oct 2008 10:00:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A primeira experiência não foi das mais bem-sucedidas. Resolvi testar um restaurante japonês ao lado da minha casa e, para meu dissabor, tudo que havia ouvido sobre eles em Paris fez sentido: paguei caro e comi pouco. Exatamente o contrário do que acontece no Brasil, país da fartura, até em se tratando de comida japonesa.
Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira experiência não foi das mais bem-sucedidas. Resolvi testar um restaurante japonês ao lado da minha casa e, para meu dissabor, tudo que havia ouvido sobre eles em Paris fez sentido: paguei caro e comi pouco. Exatamente o contrário do que acontece no Brasil, país da fartura, até em se tratando de comida japonesa.</p>
<p>Mas se por aqui não existem os maravilhosos rodízios, ao menos em alguns restaurantes pode-se comer extremamente bem. Insistindo, encontrei boas opções. O melhor na relação custo-benefício entre o 17º e 18º arrondissement fica no metrô La Fourche, o <strong>Thé Vert</strong>. A decoração é de bom gosto, moderna e com mesas, talheres e copos de qualidade (provavelmente comprados na Ikea). Os banheiros são limpos e os garçons dão “oi” e “tchau” quando você entra e sai. Algo que até mesmo os franceses estranham.</p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><a href="http://www.flickr.com/photos/23501684@N00/2845435170/" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/www.flickr.com');"><strong><img style="border: 0pt none;" title="foto por william.ward" src="http://farm4.static.flickr.com/3189/2845435170_5c4323cf0c_m.jpg" border="0" alt="Sushi Bar - Sushi Chef" width="240" height="240" /></strong></a><p class="wp-caption-text">Sushi Bar - Sushi Chef</p></div>
<p>No <strong>Thé Vert</strong> o cardápio é ao menos bem variado. E os clássicos menus dominam os pedidos. Para o leigo, em um restaurante japonês de Paris, pedir um menu significa ter como entrada uma sopa de peixe, com tofu e algas, além de uma saladinha de repolho com tomate e pepino antes do prato. Uma porção de sashimi com arroz custa 10,50 euros. Por um prato com 12 sushis, sendo 6 de abacate, salmão e ovas de peixe, o tal california, 6 de cream-cheese e salmão e mais dois espetos de salmão na chapa, paga-se 15,00.</p>
<p>Tudo, porém, é bem preparado, em bom tamanho, o que deixa ao menos a impressão de que o número limitado não é tão pouco quanto você pode imaginar.</p>
<p>Existem outros restaurantes mais chiques - e caros - e com muito mais variedade. Um dos mais conhecidos é o <strong>Matsuri</strong>, que foi pioneiro no estilo balcão e esteira rolante. Ou seja, você se senta à frente do sushiman e ao lado passa uma esteira com todos os pratos e tipos de comidas, seja o sushi básico, sashimi, hot-rolls, tempurás, saladas, sobremesas e outros. Cada prato tem uma cor, cada cor tem um preço. E você paga pelo que come.</p>
<p>A idéia é excelente e funciona bem, tanto que diversas outras casas copiaram o formato. O problema é que a cor mais barata, a do prato com 6 sushis básicos, por exemplo, custa 4 euros. Hot-rolls estão na faixa dos 5 euros. Outros pratos mais incrementados, entre 6 e 7.</p>
<p>Vale a pena pela experiência, por ver o trabalho do sushiman e porque o restaurante é superbem frequentado (os endereços variam entre as proximidades da Champs Elysées, a Bolsa de Paris e o 16° arrondissement). Em relação aos valores totais, dificilmente o cliente desembolsará menos de 40 euros. Dependendo do apetite, aliás, a conta pode aumentar consideravelmente.</p>
<p><strong>E que tal fazer em casa ?</strong><br />
Fazer uma “soirée sushi” também não é uma má idéia na França. Basta apenas conhecer as técnicas, ter bons aparelhos - sobretudo uma boa faca - e escolher um bom lugar para comprar o peixe. O quilo do salmão escocês custa entre 18 e 20 euros. O pavê de salmão, que se encaixa melhor para as “brochettes” e pratos quentes, entre 10 e 12. O atum é caro : cerca de 30 euros o quilo.</p>
<p>De resto, algas, molhos, arroz, vinagre e outros aparatos são relativamente baratos. No geral, um jantar para 6 ou 7 pessoas acaba saindo o mesmo preço do Brasil. Vale a dica.</p>
<p style="text-align: left;"><em>foto por <a href="http://www.flickr.com/photos/23501684@N00/2845435170/" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/www.flickr.com');">william.ward</a></em></p>
<p style="text-align: right;"><a class="geo_mashup_link" href="http://www.parisnalinha.com/onde-sair-em-paris/?lat=48.887501&amp;lng=2.325593&amp;openPostId=181" ><img src="http://www.parisnalinha.com/wp-content/uploads/info.png" alt="Geotag Icon"/> Mostrar no mapa</a></p>
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		<title>Paris tem 7 entre o 50 melhores restaurantes do mundo</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Apr 2008 10:28:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Foi divulgada no início da semana a lista dos 50 melhores estabelecimentos gastronômicos do mundo feita pela tradicional Restaurant Magazine, de Londres. No pódio, nada de mudanças, sendo que o El Bulli, de Barcelona, segue intocável pelo segundo ano consecutivo. Logo atrás aparecem o inglês The Fat Duck e o parisiense Pierre Gagnaire.
Paris, aliás, segue [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foi divulgada no início da semana a lista dos 50 melhores estabelecimentos gastronômicos do mundo feita pela tradicional <strong>Restaurant Magazine</strong>, de Londres. No pódio, nada de mudanças, sendo que o El Bulli, de Barcelona, segue intocável pelo segundo ano consecutivo. Logo atrás aparecem o inglês The Fat Duck e o parisiense <strong>Pierre Gagnaire</strong>.</p>
<p>Paris, aliás, segue prestigiada, com 7 indicações entre 50 primeiros. A boa notícia foi a subida de 10 posições do <strong>L’Astrance</strong>, agora o 11° colocado. O restaurante vem em alta, um ano após ser finalmente contemplado com a terceira estrela do <em>Guia Michelin</em>. Mais abaixo, o <strong>L’Atelier de Joël Robuchon </strong>caiu uma, mas vem em 14°. Curioso é que no mesmo Guia Michelin, ele acabou de ganhar &#8220;apenas&#8221; a segunda estrela.</p>
<p>A lista segue com o <strong>Alain Ducasse</strong> (18°), <strong>Le Cinq </strong>(24°), <strong>Les Amabassadeurs </strong>(45°) e <strong>L’Aperge </strong>(46°). Ainda na linha de comparações com o Michelin, Paris possui nove três estrelas no tradicional <em>Guia Vermelho</em>, sendo que o Le Meurice, o Le Pré Catelan, o Ledoyen, o Guy Savoy e o L’Ambroisie não chegaram no top 50 da revista inglesa. Do lado contrário, o Le Cinq e o Les Ambassadeurs são top 50, mas não têm três estrelas.</p>
<p>Nesta importante listagem, o Brasil não fica de fora. Mesmo que os europeus menosprezem o título de &#8220;capital gastronômica do mundo&#8221; obtido por <em>São Paulo</em> há alguns anos, a cidade é a única da América do Sul a colocar um estabelecimento, com o <strong>Dom</strong>, hoje o 40° melhor do mundo, queda de duas posições em relação ao ano passado. Por outro lado, em 2007 ele havia dado grande salto, do 50° ao 38°.</p>
<p>Clique <a href="http://www.theworlds50best.com/2008_list.html" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/www.theworlds50best.com');" target="_blank"><strong>AQUI</strong></a> e confira a lista completa da Restaurant Magazine.</p>
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		<title>Paris, obrigação de comer bem</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Apr 2008 12:16:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A cena acontece com freqüência no Brasil: pouco depois de estourar em um campeonato e alcançar a condição de ídolo, um jovem jogador de 21 anos recebe proposta irrecusável do exterior e se despede do time de origem. Mas tão rápido quanto sua saída é o nascimento de outro craque, numa produção quase ininterrupta e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A cena acontece com freqüência no <strong>Brasil</strong>: pouco depois de estourar em um campeonato e alcançar a condição de ídolo, um jovem jogador de 21 anos recebe proposta irrecusável do exterior e se despede do time de origem. Mas tão rápido quanto sua saída é o nascimento de outro craque, numa produção quase ininterrupta e que enche de orgulho o país do futebol.</p>
<p>Na <strong>França</strong>, os tais craques não estão nos gramados, mas nas cozinhas de restaurantes premiados e até mesmo em casa, o que certamente levaria o país ao título em hipotética Copa do Mundo de gastronomia. Aqui, comer bem é mais que uma tradição, é obrigação. E para isso, nem precisamos ir a um das dezenas de estabelecimentos estrelados no Guia Michelin. Nas reuniões de famílias, almoço é ritual sagrado, de, no mínimo duas horas, com entrada, prato principal e muito vinho. Ao fim, sobremesas ou queijos e, se possível, uma boa sesta.</p>
<p>Se no Brasil o futebol é aprendido logo cedo, na França não só a cozinha, mas a apresentação da mesa e certas regras na hora de servir também fazem parte da cultura local. E está aí o diferencial: com estes pequenos detalhes, restaurantes simples se tornam especiais aos olhos do visitante e oferecem serviço de extrema qualidade a preços que variam e alcançam qualquer bolso.</p>
<p>Seguindo a linha de que boa comida não significa necessariamente preço abusivo ou luxo, o <strong>Le Baratin</strong> continua atraindo degustadores por sua simplicidade. Localizado em meio a restaurantes chineses e japoneses no afastado 20° <em>arrondissement</em>, é aclamado tanto pelo tradicional Guia de Bistrôs Parisienses, de Claude Lebey, como por críticos que votaram em recente eleição do jornal Le Figaro. </p>
<p>Lá, pode-se comer no almoço um menu a 14 euros - uma pechincha, diga-se de passagem -, ou um jantar a 30 euros com vinho, aliás, uma das especialidades da casa. Também um pouco fora da badalação está o <strong>Le Salon</strong>, que prima pela conforto, ambiente agradável com música lounge e certamente impressiona um casal apaixonado. Com antecedência, pode-se reservar uma das salas especiais e ficar à vontade, por horas, e só ser interrompido pela chegada da…comida. E ela, felizmente, faz jus ao bom clima.</p>
<p>Voltando aos pontos turísticos, a localização, o serviço e a comida do <strong>Au Bon Accueil</strong> são de cair o queixo. Com exceção do <strong>Jules Verne</strong>, situado no primeiro andar da Torre Eiffel, talvez seja o restaurante mais próximo do famoso monumento e já na chegada a vista abre o apetite. Dentro, o espetáculo continua e o preço do jantar não assusta: 31 euros o menu entrada, prato e sobremesa, o que rendeu recomendação máxima no Guia Lebey e outra de &#8220;boa cozinha a preço acessível&#8221; do Guia Michelin.</p>
<p>Mas se o assunto é requinte – e o caixa permitir -, nada como testar um dos nove restaurantes da cidade agraciados com as três estrelas do Guia Michelin. E neste quesito, o <strong>Pierre Gagnaire</strong>, segue imbatível no coração dos franceses. Disparado o &#8220;dono da bola&#8221; da gastronomia no país, ainda tem expandido seus domínios, levando a delicadeza e criatividade de seus pratos para pólos como Tóquio, Londres e até Dubai. </p>
<p>Mesmo que não chegue a ser um popstar como Jamie Oliver, Gagnaire destoa dos demais chefs e mostra simplicidade anormal dentro de um meio cada vez mais concorrido. A prova está em seu site (www.pierre-gagnaire.com), que traz receitas de pratos servidos, idéias de criação e até parte de sua biblioteca pessoal. No restaurante, este &#8220;mundo&#8221; de diferenças sai caro. No jantar, menu a 250 euros e vinhos que podem ultrapassar os 8 mil.</p>
<p>Já outro que recebe cada vez mais boas indicações é o <strong>L’Atelier</strong>, do também prestigiado chef Joël Robuchon. Ele inclusive foi a boa novidade de Paris no Guia Michelin de 2008, conceituado agora com duas estrelas (como seu outro, o Table de Joël Robuchon). Mais do que a comida, lá o grande barato é acompanhar a manufatura dos pratos à sua frente, em um dos 36 assentos no balcão. Para comer, peixes, frutos do mar (que tal um carpaccio de lagosta com ervas aromáticas?), carnes e o mais famoso purê da Cidade-luz. Menus a 110 euros.</p>
<p>Ainda em torno do Guia Michelin, a nova edição saiu em março com novidade – e barulho: a queda do número de três estrelas em Paris. “Culpa” do <strong>Le Grand Véfour</strong>, que já vinha recebendo cotações negativas há algum tempo e não soube se atualizar. Para compensar e manter a França com 26 casas com cotação máxima, ascensão do <strong>Le Petit Nice</strong>, de Marselha. </p>
<p>Paris tradicional e barata – Se você passa longe de ser um crítico gastronômico, mas ainda assim quer experimentar a cozinha do dia-a-dia na França, três opções são irresistíveis. Uma delas é o <strong>Le Petit Bleu</strong>, que serve pratos fartos de couscous (bastante diferente do brasileiro) entre 8 e 10 euros. O lugar é pequeno, com mesas apertadas, mas a clientela é fixa e sai satisfeita em geral. E melhor: é do lado da Sacre Coeur. Já para provar uma crêpe, o <strong>Le Crêpes-Show</strong> reúne qualidade, bom preço e ótima localização: na agitada Rue de Lappe, na Bastilha, e vizinho de ótimos bares. Em termos de sorvetes, não passe por Paris sem provar o do <strong>Bertillon</strong>, na calma e linda Île Saint Louis. Além das deliciosas opções doces, destaca-se o novo sabor foie gras. Mais tradicional impossível. Mas cuidado: a casa original fecha no verão.</p>
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		<title>Le Mono, um africano globalizado</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Apr 2008 12:00:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Paris é, sem sombra de dúvidas, uma das cidades com maior número de restaurantes por metro quadrado no mundo (se não a primeira). E além das opções tradicionais de comida francesa, a capital traz cozinhas do mundo todo, com destaque para a africana. Com o aumento da imigração de países como Senegal, Costa do Marfim, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paris é, sem sombra de dúvidas, uma das cidades com maior número de restaurantes por metro quadrado no mundo (se não a primeira). E além das opções tradicionais de comida francesa, a capital traz cozinhas do mundo todo, com destaque para a africana. Com o aumento da imigração de países como Senegal, Costa do Marfim, Mali, Togo, Argélia, Marrocos, entre outros, cresceu também o número de estabelcimentos gastronômicos, trazendo mais um atrativo ao turista.</p>
<p>No entanto, a escolha de um bom africano não é fácil. Geralmente espalhados pelos <em>arrondissements</em> mais afastados do centro, eles acabam se tornando ponto de encontro exclusivamente para os imigrantes destes países. Normal também é o estilo &#8220;caseiro&#8221; da maioria, com poucas mesas e toalhas e talheres dos mais simples. </p>
<p>Por outro lado, alguns deles optaram por romper esta tradição e conquistaram também a clientela local e os preciosos turistas. É o caso do togolês <strong>Le Mono</strong>, localizado na Rue Véron, próxima à Praça des Abesses, uma das mais simpáticas do 18º <em>arrondissement</em>. Ao entrar, é possível reparar de cara em alguns pontos interessantes: o sorriso dos garçons e a música agitada, que dita o ritmo também dos geralmente barulhentos clientes. </p>
<p>Além disso, a decoração é simples e em boa medida, com objetos típicos do país espalhados pelas paredes e sem exageros, sem clichês. No Le Mono, a especialidade são os peixes, com grande destaque para o Le Capitain. Somente na noite da visita, seis das sete meses ao redor (incluindo a minha) haviam optado pelo enorme peixe, servido inteiro e assado, com uma pequena salada de tomates e cebolas, bananas fritas e uma porção de arroz. Tudo bem generoso.</p>
<p>Antes, na entrada, a boa pedida são as beignettes de crevettes e como sobremesa frutas com bebidas diversas (meu pedido foi um abacaxi flambado ao rum), sempre fortes e nem tão bem servidas como o prato principal. Em relação ao preço, o Le Mono não chega a ser uma pechincha: o Le Capitain, por exemplo, sai por 16 euros, com a sobremesa a 6 e a entrada nesta mesma média. </p>
<p>De qualquer jeito, o restaurante é cativante e animado, boa pedida para quem anda sem idéias diferentes na cabeça. E se você ainda conseguir convencer os donos, pode terminar degustando uma aguardente típica. </p>
<p><strong><a href="http://www.parisnalinha.com/onde-sair-em-paris/?lat=48.88516&#038;lon=2.334927&#038;openPostId=130" >Le Mono</a> </strong>- 40, Rue Véron - 18º arrondissement<br />
Tel : 01 46 06 99 20</p>
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		<title>Clima romântico e boa comida</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2008 16:44:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[De fora, a impressão é que o restaurante é apenas mais um dos milhares que se amontoam pela capital francesa. Mas logo ao se aproximar da entrada, por volta das 21h, a cena mostra algo diferente: um grupo de quatro pessoas é informado que a casa está lotada, enquanto o mesmo homem que os dispensa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De fora, a impressão é que o restaurante é apenas mais um dos milhares que se amontoam pela capital francesa. Mas logo ao se aproximar da entrada, por volta das 21h, a cena mostra algo diferente: um grupo de quatro pessoas é informado que a casa está lotada, enquanto o mesmo homem que os dispensa se volta a mim e à minha parceira com um largo sorriso, como se pressentisse a chegada de alguém importante. &#8220;Ah, o casal da mesa especial!&#8221; </p>
<p>Descubro, então, que o homem é ninguém menos que o dono do <strong>Le Salon</strong> e que ataca de cozinheiro e garçom. O acúmulo de funções não lhe tira o sorriso do rosto e ele nos leva à sala reservada, ao fundo, passando por outra muito mais ampla. Ficamos separados dos demais, num espaço bem confortável, com a mesa e ainda um pequeno divã ao lado. A decoração é sóbria e a música lounge é perfeita para o clima romântico que já estava criado.</p>
<p>Recebemos também um sino, no caso de sermos &#8220;esquecidos&#8221;. Mas nem o usamos, pois o atendimento é preciso: sem longas esperas, nem muita intromissão. Pedido feito, vinho no copo e aproveitamos o tempo para sentarmos no divã e conversar, como se estivéssemos numa festa tranqüila na casa de amigos.</p>
<p>Em seguida chegam os pratos, com boa apresentação, e a comida faz jus ao ambiente. Como já conhecia a &#8220;especialidade&#8221; em carne bovina da casa, ataco de <em>Faux Fillet Henri VIII</em>, com duas guarnições e um molho de queijo roquefort. Uma delícia. E na frente, olho também com água no boca o <em>tagliatelle com salmão</em> da minha parceira. Comemos bem, bebemos bem e talvez a única coisa que atrapalhe um pouco seja a repetição ininterrupta do mesmo cd de quando chegamos. Mas tudo bem, a boa impressão já havia ficado.</p>
<p>Para fechar, a sobremesa é o tradicional <em>moelleux au chocolat</em>, mas muito bem servido. Na conta, 27 euros por pessoa, com o prato a 15 euros em média, a sobremesa a 7,50 e mais um pichet de vinho. </p>
<p>Ao final de quase duas horas, nos levantamos e nos damos conta de que o restaurante já está vazio. O dono, então, se aproxima e nos surpreende com sua franqueza: &#8220;<em>Ufa! Fiquei com medo de ir até a sala porque achei que vocês poderiam estar pelados!</em>&#8220;. Frase um tanto quanto bizarra, mas que até soa como uma boa pedida. Afinal, a noite romântica no <strong>Le Salon</strong> ficaria ainda melhor assim.</p>
<p><strong><a href="http://www.parisnalinha.com/onde-sair-em-paris/?lat=48.835445&#038;lon=2.347618&#038;openPostId=105" >Le Salon</a></strong> - 29, boulevard Arago – 13º arrondissement<br />
Telefone : 01 45 87 21 86</p>
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		<title>Paris no estilo cantina</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Apr 2008 08:45:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[No último sábado fui finalmente conhecer o Restaurante Chartier, um dos mais tradicionais de Paris e aberto desde 1896. Curioso é que toda essa longevidade não significa abuso de preços, pelo contrário. O Chartier é historicamente um restaurante barato, que serviu operários e mantém até hoje um estilo cantina, enorme, com mil garçons que trombam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No último sábado fui finalmente conhecer o <strong>Restaurante Chartier</strong>, um dos mais tradicionais de Paris e aberto desde 1896. Curioso é que toda essa longevidade não significa abuso de preços, pelo contrário. O Chartier é historicamente um restaurante barato, que serviu operários e mantém até hoje um estilo cantina, enorme, com mil garçons que trombam e servem 10 pratos ao mesmo tempo, como nas casas do Bexiga ou nos Demarchi de São Bernardo. Ou seja, tudo o que você nunca imaginou encontrar em Paris.</p>
<p>Como está nos principais <strong>guias de Paris</strong>, o Chartier é tomado por turistas, principalmente num sábado à noite, exatamente quando resolvemos ir. O resultado óbvio é uma fila enorme, uma espera considerável e um atendimento nas coxas. Mas vamos aos fatos por partes, como diria Jack.</p>
<p>Eu e minha namorada estávamos num bom dia, então esperamos pacientemente e até fomos recompensados: como éramos dois, <strong>furamos bem a fila</strong>, já que as mesas para casais vagavam mais rapidamente. E ao entrar a impressão é ótima: decoração em estilo antigo, cadeiras de boteco e toalhas de papel. O metre nos leva à nossa mesa e pedimos licença ao casal ao lado, que participaria de toda nossa conversa caso entendessem francês, porque não há qualquer divisão ou espaço entre nós.</p>
<p>Devidamente sentados, recebemos o menu, também em papel, impresso no dia mesmo. Escolhemos uns pratos até baratos, um pichet de vinho a 3 euros e vimos outro casal, desta vez italianos, sentarem ao nosso lado. O garçom chega, fazemos o pedido e ele anota tudo em caneta Bic na toalha ao meu lado. Eu estava para o Entrecôte, mas optei na “Hora H” pelo <strong>Pavé de Rumsteack</strong>, sábia decisão que perceberia mais tarde.</p>
<p>Cronometrados 2 minutos após o pedido e os pratos chegam, juntos com os dos vizinhos. Acho estranho, mas aceito, o clima ainda é bom. Mas a carne vem grelhada por fora e fria por dentro e questiono se elas não estariam lá prontas antes mesmo do pedido, resposta que me parece um tanto óbvia. Sem me indignar, peço ao garçom para repassar a carne enquanto olho ao lado os <strong>Entrecôtes </strong>dos vizinhos, também vermelhos, provavelmente frios, mas muito, muito mais engordurados e feios. A cara deles também não é nada boa.</p>
<p>Como bons “franceses”, fazemos os pedidos normais de pão, água, recebo de volta minha carne em bem melhor estado e a Manue até que gosta do choucroute alsacien dela. Mas os vizinhos…eles seguem lutando com a carne, lamentando a má escolha e a falta de um tradutor para que eles possam xingar o último dos quatro donos que o <strong>Chartier</strong> teve em mais de 100 anos.</p>
<p>Os italianos terminam (ou desistem), pedem a conta e o garçom soma tudo na toalha, com a mesma Bic. Eles desembolsam <strong>27 euros </strong>visivelmente contrariados e, antes de saírem, balbuciam algo em nossa direção e entendemos que eles queriam alguns pedaços de pão, que oferecemos sem hesitar. A Manue conclui: “Sorte dos donos que eles eram estrangeiros, porque se servissem isso pro meu pai, nossa… !”</p>
<p>Seguimos até o fim, nem tão satisfeitos, mas também não tão tristes como os vizinhos que partiram. Vale mais para observar aquele mundo de gente e pensar como os donos conseguem arrancar grana servindo algo meio tosco. E por fim, exatamente como no <strong><a href="http://www.parisnalinha.com/nazista-do-couscous/5/" >Le Petit Bleu</a></strong>, acho que vale recomedar. Afinal, nada lá é como nos outros restaurantes de Paris, seja no preço, no estilo da decoração ou na qualidade da comida.</p>
<p><a href="http://www.parisnalinha.com/onde-sair-em-paris/?lat=48.871881&#038;lon=2.343125&#038;openPostId=117" ><strong>Restaurant Chartier</strong></a> - 7, Rue du Faubourg Montmartre - 9º arrondissement<br />
Telefone: 01 47 70 86 29</p>
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		<title>Os três estrelas do Paris na Linha</title>
		<link>http://www.parisnalinha.com/os-tres-estrelas-do-paris-na-linha/71/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 Apr 2008 11:16:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Visitamos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesta semana, falo de dois excelentes restaurantes de Paris, opções diferentes para o almoço e para o jantar, um bem simples, outro um pouco mais requintado (mas não necessariamente caro). Tratam-se do Le Baratin e do Au Bon Accueil.
Seguindo o sentido lógico, começo pelo primeiro. Vi inicialmente o Le Baratin folheando o Guia Lebey de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nesta semana, falo de dois excelentes restaurantes de Paris, opções diferentes para o almoço e para o jantar, um bem simples, outro um pouco mais requintado (mas não necessariamente caro). Tratam-se do <strong>Le Baratin</strong> e do <strong>Au Bon Accueil</strong>.</p>
<p>Seguindo o sentido lógico, começo pelo primeiro. Vi inicialmente o Le Baratin folheando o <strong>Guia Lebey de Bistrôs Parisienses</strong>, que havia acabado de alugar na biblioteca. Buscava os bistrôs 3 caçarolas (e não estrelas como o <strong>Michelin</strong>) a bom preço e o encontrei isoladão no 20° <em>arrondissement</em>, um quartier distante e sem o mesmo charme dos do centro. Mas as críticas eram excelentes (”talvez o melhor bistrô de Paris“, dizia o Lebey) e resolvi ir atrás de mais informações.</p>
<p>Descobri comentários positivos do <strong>Saul Galvão</strong>, jornalista do <em>Estado de S. Paulo</em>, que morreu de amores pela casa. Depois, li em matéria do <em>Le Figaro </em>que o Le Baratin merecia ao menos uma estrela no Michelin, mas que era esquecido exatamente por estar fora do “miolo” de Paris. Questão de marketing. Fui, então, checar.</p>
<p>Realmente, ele está longe do charme, mas a proximidade a <strong>Belleville</strong> o torna interessante. Vale como dica um passeio pelo parque ao final da <em>rua Jouye-Rouve </em>e outro pelas ruas em sobe-e-desce do bairro. E como é um estabelecimento simples, você ao menos sabe que está comendo em lugar típico, com clientela assídua e que lê tranquilamente o jornal no balcão ou entra sem cerimônias na cozinha para dar um “oi” ao chef.</p>
<p>Vi a cena, aliás, porque sentei de frente para a cozinha, que passou a tarde com a porta aberta. No almoço, um menu entrada + prato + sobremesa saiu por 15 euros, difícil de encontrar mais barato. Para acompanhar, um copo de ótimo vinho, recomendado pela dona argentina. Comi um delicioso peixe com salada e molho de limão e ervas de entrada, um fricassê de frango e de sobremesa um pudim de leite diferente, especialidade de casa. E saí bem feliz com a relação custo-benefício.</p>
<p>Obviamente que não fui na mesma noite conhecer o <strong>Au Bon Accueil</strong>, mas se um viajante com budget razoável quer ter a certeza de comer bem nas duas refeições, a indicação é correr para o 7° <em>arrondissement</em> lá pelas 20h, 20h30. O restaurante fica na <em>rua Montessuy</em>, uma das que dão de cara para a Torre Eiffel. E a chegada no restaurante já é com sorriso no rosto, mas uma dúvida: fica-se lá fora vendo a vista, ou entra-se para comer?</p>
<p>Desta vez, eu e minha acompanhante preferimos comer. Neste outro bistrô 3 caçarolas no Lebey, o estilo muda completamente. A clientela também: não existe balcão e provavelmente o segurança seria chamado caso você fosse dar um “alô” ao chef. Assim, como as <em>mesdames</em> e <em>messsieurs</em> do chique bairro, aceite as honras do metre e deixe suas jaquetas na entrada com ele, sem cerimônias.</p>
<p>Apesar da pompa aparente, a decoração é sóbria e aconchegante. Como estamos no jantar (o que em muitos casos significa triplo do preço do almoço), o mesmo menu completo sai por 31 euros, nada tão absurdo devido à localização, à qualidade da comida e à boa apresentação das mesas. E também por se tratar de um “restaurante gastronômico”, o garçom fica ao seu lado em caso de dúvida no menu.</p>
<p>Após dar uma olhada nas entradas e não entender muito, peço ajuda e decido pela friture <em>d’éperlans en escabeche et salade de légumes</em>, ou uma porção de peixinhos fritos. Como prato principal, um bom pedaço de carne: <em>pavé de rumsteack Charolais, ragoût de lentilles vertes du Puy et légumes</em>. Já a Manue vai com a combinação <em>Caille de Dombes farcie aux petits légumes et vinagrette au jus de viande</em>, seguido por <em>Fillet de daurade grise à l’huille d’olive et radis noir confit</em> (?!)</p>
<p>Como perderia linhas para explicar a composição dos pratos, resumo em duas palavras: bom demais! Vem a hora da sobremesa e opto pelo <em>Tiramisu</em>, enquanto ela vai de <em>Ananas rôti et pain d’épice aux pommes, sauce caramel</em>. Ufa! O meu é delicioso e tão surpreendentemente grande que até o garçom chega a mim e diz: “Eu adoro, mas acho um pouco pesado, não?” Verdade, mas raspo a tigela sem o menor problema.</p>
<p>Foram sem dúvida dois dos melhores restaurantes nos quais estivemos (e, para não ser injusto, cito o <strong>Le Queniau </strong>e o <strong>Le Salon</strong>, que certamente falarei mais tarde). E claro que optei por lugares mais em conta, afinal (ainda) não tenho intenção de torrar 150, 200 euros num jantar apenas por causa das estrelas do <strong>Michelin</strong>. Vale bem a idéia do Saul Galvão de se concentrar no Guia Lebey de Bistrôs Parisienses. Bem mais pés-no-chão.</p>
<p><strong><a href="http://www.parisnalinha.com/onde-sair-em-paris/?lat=48.873229&#038;lon=2.382656&#038;openPostId=100" >Le Baratin</a></strong> – 3, rue Jouye-Rouve – 20º arrondissement<br />
Telefone : 01 43 49 39 70</p>
<p><strong><a href="http://www.parisnalinha.com/onde-sair-em-paris/?lat=48.859491681070786&#038;lon=2.2988247871398926&#038;openPostId=102" >Au Bon Accueil</a></strong> – 14, rue de Montessuy – 7º arrond.<br />
Telefone : 01 47 05 46 11</p>
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		<title>Le Petit Bleu - O Nazista do Couscous</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Mar 2008 23:20:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eloi</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Onde Comer]]></category>

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1- não, eu não errei a forma escrita do prato em questão. Aqui, couscous é assim mesmo, com dois “ous-ous”.
2 - tão diferente do nosso cuscuz em termos de gramática, o couscous marroquino não tem nada a ver com aquela torta de farinha de milho. Trata-se de uma refeição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais nada, duas rápidas considerações:<br />
1- não, eu não errei a forma escrita do prato em questão. Aqui, couscous é assim mesmo, com dois “ous-ous”.<br />
2 - tão diferente do nosso cuscuz em termos de gramática, o couscous marroquino não tem nada a ver com aquela torta de farinha de milho. Trata-se de uma refeição completa, com semoule - uma farinha, mas em grãos -, muito legume cozido e muita carne, variando entre carneiro, porco e frango.</p>
<p>Dito isso, passo à proposta do texto, que remete ao saudoso seriado norte-americano Seinfeld. Em um de seus melhores episódios, os protagonistas encontram um restaurante tosco que vende a sopa mais deliciosa de toda Nova York. O problema é que o vendedor é um carrasco e exige respeito e regras durante a compra.</p>
<p>Assim, após enfrentar longa fila, é preciso ser rápido, praticamente jogar o dinheiro no balcão, falar sem gaguejos o sabor da sopa e passar rapidamente ao lado, sem mais perguntas. E aquele que ousa pedir pão recebe como resposta: “No soup for you!!!“, e o dinheiro de volta, sem dó.</p>
<p>Depois de enormes explicações, o fato é que encontrei o Soup Nazi francês. Descobri a pocilga que ele dirige, o Le Petit Bleu, em 2006, com meu primo Coaty. Fiquei encantado: quanta comida, quanto legume, quanta carne! Era um prato de caminhoneiro de luxo.</p>
<p>Em 2007 voltei aqui para morar e logo no primeiro dia com a minha namorada, a Manue, passeando em Montmartre, lembrei daquela biboca e a convidei para comer. Sucesso! Ela comeu metade, mas adorou e ainda me achou super “cool” por conhecer a vida alternativa de Paris (mal sabia ela). E viramos cliente assíduos.</p>
<p>Com o passar do tempo, porém, começamos a perceber que o dono/garçom não era dos mais simpáticos. E a revelação veio num belo dia em que tivemos a idéia de pedir apenas um prato para dois, já que a Manue insistia em nunca terminar. Ao ouvir tal ousadia, o moço deu as primeiras mostras da alcunha que lhe viria a ser dada mais tarde.</p>
<p>Olhou feio, reclamou, disse que o prato já era barato e que não aceitaria. Insistimos também e falamos que pediríamos uma garrafa de vinho inteira, o que fez ele ceder e o que, depois, percebemos ter sido besteira em termos de preço. Ainda magoado, o nazista não se deu por vencido e nos trouxe um prato mixuruca, bem inferior ao normal. E no final ainda teve a cara de pau de perguntar se estava bom.</p>
<p>Ficamos bem p… e começamos a colocar em dúvida nossa volta. Mas não resistimos. Voltamos, duas, três vezes e recomendamos e levamos amigos, os pais da Manue também provaram, até que veio o dia em que a história mudou de vez. Na segunda passagem de uma amiga por aqui, ela mesmo sugeriu de retornar lá. E até reservamos, porque era verão e a biboca tem 6 mesas e está sempre lotada.</p>
<p>Chegamos no horário marcado e nada de mesa. Nós éramos três e ele nos ofereceu uma do lado da geladeira de vinhos, com dois lugares. Disse não e fomos convidados gentilmente a esperar. Havia mesas fora e sugerimos então sentar lá mesmo, o que ele não gostou nada. Se passasse a fiscalização, era multa na certa.</p>
<p>Ficamos bem uma hora até que ele, contrariado, aceitou a idéia. Pedimos e previmos novamente a tal “vingança”, mas vitória! Desta vez tudo certo, a delícia de sempre. O problema veio logo depois: mal terminávamos de raspar o prato (no meu caso, porque claro que a Manue deixou metade) e o nazista se aproximou com a conta e ficou resmungando do nosso lado. E como na época meu francês já estava afiado, entendi bem que ele falava da gente e chegou até pedir, nunca olhando no nosso olho, como todo nazista faz, que saíssemos rápido, porque ele estava correndo riscos de tomar multa.</p>
<p>Pagamos, disse um obrigado irônico e saímos pedindo desculpas à amiga. Foi a gota d’água. Decidimos nunca mais voltar e até achamos um ótimo japonês, não tão caro, que substituiu à altura. E passados cinco meses de jejum de comida marroquina, estávamos lá de novo, bem dizer à contra-gosto, após a estúpida idéia de mostrar a uns amigos um couscous maravilhoso e barato perto de casa.</p>
<p>Comemos e nos esbaldamos. Que saudade! Quase pedi desculpas ao nazista pela longa ausência. O Cabeção, meu amigo, passou mal por comer tão rápido e, mesmo tendo sido obrigado a visitar o banheiro da espelunca, coisa que eu nunca fiz, saiu rasgando elogios e falando que a passagem por Paris já estava ganha. E a gente nem tinha ido à Torre ainda.</p>
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